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Mindfulness e aromaterapia na pós-menopausa: o que um estudo revelou sobre ansiedade, depressão e vida sexual

Mindfulness e aromaterapia na pós-menopausa: o que um estudo revelou sobre ansiedade, depressão e vida sexual

A pós-menopausa é uma fase marcada por muitas mudanças ao mesmo tempo: ondas de calor, alterações no sono, variações de humor, queda do desejo sexual, secura vaginal, cansaço. Em meio a tudo isso, ansiedade e tristeza podem ficar mais frequentes e interferir no bem-estar, nos relacionamentos e na autoestima.

Por isso cresce o interesse por recursos naturais que ajudem a cuidar do emocional, sem substituir o acompanhamento médico. Entre eles, duas práticas se destacam: mindfulness e aromaterapia. E, no caso das mulheres pós-menopausa, não estamos falando só de teoria: existe estudo científico que testou essas abordagens juntas e separadas, usando óleos essenciais de lavanda e bergamota, e avaliou seu impacto na ansiedade, na depressão e na função sexual.

Confira aqui o que esse estudo encontrou e como isso pode inspirar o autocuidado na sua rotina.

Por que falar de menopausa, ansiedade e função sexual na mesma conversa?

A menopausa não é “apenas” o fim do ciclo menstrual. As oscilações hormonais influenciam:

  • o humor (mais irritação, tristeza, sensação de “não dar conta”);

  • o sono (acordar no meio da noite, dificuldade para pegar no sono);

  • o desejo sexual e a lubrificação vaginal;

  • a forma como a mulher percebe o próprio corpo.

Os autores do estudo lembram que:

  • ansiedade e disfunção sexual andam de mãos dadas: quando a ansiedade está alta, o fluxo de sangue para a região genital diminui, o corpo tem mais dificuldade para responder ao estímulo e isso pode gerar dor, insegurança e insatisfação;

  • na pós-menopausa, os episódios depressivos tendem a ser mais frequentes do que antes, e há maior risco de recaída em quem já teve depressão.

Por isso faz sentido olhar para esse período de forma ampla, incluindo saúde emocional, vida sexual e qualidade de vida.

O que o estudo testou: mindfulness, aromaterapia ou os dois juntos?

O ensaio clínico foi realizado com 132 mulheres pós-menopausa, entre 50 e 60 anos, todas:

  • casadas e com vida sexual ativa;

  • com disfunção sexual, medida por um questionário específico;

  • com ansiedade leve ou moderada, avaliada pela Escala de Ansiedade de Beck;

  • sem doenças graves nem uso de medicamentos que interferissem na vida sexual ou no olfato.

Elas foram divididas aleatoriamente em quatro grupos:

  1. Aromaterapia + cuidados de rotina

  • Inalação de óleo essencial de lavanda (Lavandula angustifolia) combinado com bergamota (Citrus bergamia) três vezes ao dia, por 8 semanas.

  • Acompanhamento de saúde habitual.

  • Mindfulness + placebo

    • Oito sessões semanais de intervenção baseada em mindfulness, em grupo.

    • Frasco placebo (sem óleos essenciais verdadeiros).

  • Aromaterapia + mindfulness

    • Mesmo blend de lavanda + bergamota, inalado três vezes ao dia.

    • As mesmas oito sessões de mindfulness.

  • Cuidados de rotina + placebo

    • Grupo controle: sem mindfulness e sem óleo essencial ativo.

    As participantes foram avaliadas:

    • antes da intervenção,

    • logo após as 8 semanas,

    • oito semanas depois do fim das sessões.

    Foram medidos três pontos principais:

    • Função sexual (desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor);

    • Ansiedade;

    • Depressão.

    Mindfulness na pós-menopausa: o que mudou na função sexual?

    A intervenção de mindfulness usada no estudo não era apenas “relaxar e respirar”. As sessões incluíam:

    • exercícios de atenção ao corpo (escaneamento corporal);

    • treinos de respiração consciente;

    • movimentos com atenção plena;

    • reflexões sobre pensamentos automáticos (por exemplo: “não sou mais atraente”, “não dou conta de nada”);

    • práticas para trazer a mente de volta ao presente, sem julgamento.

    Na análise dos resultados, os pesquisadores observaram que:

    • as mulheres dos grupos que participaram das sessões de mindfulness tiveram melhora significativa na pontuação total de função sexual;

    • houve aumento em pontos específicos como:

      • desejo sexual,

      • excitação,

      • lubrificação vaginal,

      • em alguns momentos, redução da dor.

    Essa melhora apareceu ao final das 8 semanas e, em boa parte, se manteve dois meses depois.

    O que isso significa para as mulheres?

    • Mulheres que treinaram mindfulness relataram, em média, mais vontade de ter relação, maior facilidade em se envolver com a experiência e melhor resposta do corpo durante o ato sexual.

    • A atenção plena ajudou a reduzir “ruídos mentais” na hora da intimidade, como preocupações, autocríticas e distrações, permitindo que elas estivessem mais presentes no próprio corpo e no prazer.

    O estudo não mostra mindfulness como “cura milagrosa”, mas indica que treinar a mente para estar no presente pode ajudar a reconstruir uma relação mais positiva com a sexualidade na pós-menopausa.

    Aromaterapia e mindfulness

    Aromaterapia com lavanda, bergamota e a família das laranjas: foco na ansiedade e na depressão

    A aromaterapia foi feita com uma mistura padronizada de:

    • 5% de óleo essencial de lavanda,

    • 0,04% de óleo essencial de bergamota, em base alcoólica, aplicada e inalada na pele do antebraço três vezes ao dia, durante 8 semanas.

    A bergamota é um cítrico da mesma família de outras laranjas usadas em aromaterapia. Assim como óleos essenciais de laranja doce e laranja amarga, o óleo de bergamota tem aroma fresco, suave e, em vários estudos, está associado a:

    • diminuição de sinais de tensão e ansiedade;

    • sensação de equilíbrio emocional;

    • melhora do humor em contextos de estresse.

    No ensaio clínico com mulheres pós-menopausa, os resultados foram:

    • Os grupos que receberam aromaterapia com lavanda e bergamota apresentaram queda importante nos níveis de ansiedade logo após as 8 semanas.

    • Essa redução da ansiedade continuou presente oito semanas depois do fim da intervenção.

    • No grupo que recebeu apenas aromaterapia, sem mindfulness, também houve redução significativa de sintomas depressivos, especialmente no final do período de uso dos óleos.

    Em outras palavras:

    • enquanto o mindfulness se destacou na função sexual,

    • a aromaterapia com lavanda e um cítrico da família da laranja (bergamota) se destacou na ansiedade e na depressão leve a moderada.

    Isso reforça a percepção clínica de que óleos cítricos e florais podem ser benéficos para o equilíbrio emocional na pós-menopausa, sempre como complemento, não substituto, de tratamentos médicos quando necessários.

    Mindfulness e aromaterapia juntas: por que essa combinação faz sentido?

    O grupo que recebeu mindfulness + aromaterapia também teve bons resultados:

    • melhora na função sexual,

    • redução de ansiedade,

    • queda de sintomas depressivos.

    Na prática, a combinação faz sentido porque:

    • o mindfulness trabalha a forma como a mente se relaciona com pensamentos, emoções e sensações;

    • a aromaterapia, especialmente com lavanda e cítricos como a bergamota, atua rapidamente em áreas do cérebro ligadas ao medo, ao estresse e à memória, ajudando a criar um “ambiente interno” mais favorável ao relaxamento.

    Para a mulher que vive a pós-menopausa, isso pode se traduzir em:

    • um ritual antes de dormir com óleo essencial de laranja ou bergamota no difusor e alguns minutos de respiração consciente;

    • uma pausa durante o dia para perceber o corpo e as emoções, com um aromatizador de ambiente suave que marque esse momento;

    • um cuidado especial com o quarto e com o próprio corpo antes da relação sexual, combinando mindfulness (estar presente no toque, na respiração) e aromas que favorecem calma e conexão.

    O estudo não afirma que essa combinação substitui hormônios, antidepressivos ou psicoterapia, mas sugere que há espaço real para práticas integrativas no cuidado da saúde da mulher.

    Como trazer mindfulness e aromaterapia para o seu dia a dia de forma segura

    A partir dos achados do estudo, algumas possibilidades de aplicação na rotina são:

    1. Pequenas práticas de mindfulness

    • Comece com 5 minutos por dia: sente-se confortavelmente, feche os olhos e observe a respiração.

    • Quando perceber a mente “viajando” para preocupações ou lembranças, apenas note e volte para o ar que entra e sai.

    • Em momentos de irritação ou calor intenso, use a respiração para não reagir ao impulso e se dar alguns segundos antes de responder.

    2. Uso consciente de óleos essenciais cítricos e florais

    • Prefira óleos essenciais puros, de origem confiável e respeite as orientações de diluição.

    • Use difusores de ambiente com laranja doce, capim-limão ou bergamota combinados com lavanda quando o objetivo for relaxar ou aliviar tensão.

    • Evite aplicação direta e concentrada na pele; sempre dilua em óleo vegetal se for uso tópico.

    • Em caso de histórico de alergias, doenças crônicas ou uso de muitos medicamentos, converse com profissional de saúde antes de incluir qualquer produto novo.

    3. Olhar integral para a saúde

    Mesmo com bons resultados em estudos, mindfulness e aromaterapia não substituem:

    • acompanhamento ginecológico;

    • avaliação psicológica ou psiquiátrica quando necessário;

    • investigação adequada de dores, sangramentos ou alterações importantes na saúde.

    Perceber que a ansiedade está alta, que a tristeza se prolonga ou que a dor na relação é constante é um sinal de cuidado, não de fracasso. Essas informações ajudam o profissional de saúde a escolher a melhor combinação de recursos para você.

    Atenção plena e aromaterapia para mulheres pós-menopausa

    O ensaio clínico com lavanda, bergamota e mindfulness em mulheres pós-menopausa traz uma mensagem importante:

    • mindfulness pode apoiar a vida sexual, ajudando a mulher a se reconectar com o próprio corpo e com o prazer;

    • aromaterapia com óleos essenciais da família das laranjas (como a bergamota) e lavanda pode diminuir ansiedade e sintomas depressivos leves a moderados;

    • usar essas práticas em conjunto parece fortalecer o cuidado emocional nessa fase.

    Vale lembrar que mindful e aromaterapia são parte do caminho para o autocuidado: não substituem orientações médicas ou tratamentos necessários, mas são muito benéficos no dia a dia. Assim você leva à vida cotidiana uma prática consciente (atenção plena) apoiada por aromas que cuidam do corpo – um caminho duplo para o equilíbrio e a paz interior.

    Referências

    Mojtehedi M, Salehi-Pourmehr H, Ostadrahimi A, Asnaashari S, Esmaeilpour K, Farshbaf-Khalili A. Effect of Aromatherapy with Essential oil of Lavandula Angustifolia Mill- Citrus Bergamia and Mindfulness-Based Intervention on Sexual Function, Anxiety, and Depression in Postmenopausal Women: A Randomized Controlled Trial with Factorial Design. Iran J Nurs Midwifery Res. 2022 Sep 14;27(5):392-405. doi: 10.4103/ijnmr.ijnmr_129_21. PMID: 36524136; PMCID: PMC9745841.

    Soto-Vásquez MR, Alvarado-García PA. Aromatherapy with two essential oils from Satureja genre and mindfulness meditation to reduce anxiety in humans. J Tradit Complement Med. 2016 Jun 27;7(1):121-125. doi: 10.1016/j.jtcme.2016.06.003. PMID: 28053898; PMCID: PMC5198818.

    Mindfulness, atenção plena, aromaterapia e menopausa



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